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Um convite à minha história...

Minha trajetória não começou em um palco, em uma formação ou em uma construção planejada de carreira.

Ela começou diante da maior dor já sentida.

No dia em que completei 18 anos, fomos impactados com a morte do meu pai. Em meio ao impacto emocional e psicológico daquele momento, me ouvi dizendo dentro de um estado alterado de consciência, instantaneamente acessei o futuro. Até hoje não sei se foi um pedido a Deus ou foi um deslocamento para o futuro. Sei que ouvi minha voz vindo do fundo do meu coração:

“Se eu não puder ser médica dos homens, que eu seja das almas.”

Não havia ali qualquer pretensão espiritual, filosófica ou simbólica.
Era apenas uma jovem profundamente ferida pisando em solos frequenciais desconhecidos, ao tentar encontrar sentido diante da trágica perda. Meu pai teve um ataque cardíaco fulminante dentro do mar. Seu corpo ficou algumas horas submerso até o mar devolvê-lo. Em Pinhal/RS.

Hoje compreendo que aquele instante atravessou toda a minha vida sendo que desde a infância, eu já percebia e me relacionava com o mundo de forma distinta das outras crianças e adultos com quem eu convivía. Sentia ambientes, emoções e movimentos humanos de maneira profunda, muitas vezes sem conseguir sendo incompreendida e chamada de mentirosa. Eu vivia em uma realidade paralela e sabia coisas e me expressava com muita clareza e facilidade.

A hipersensibilidade, a facilidade de observar, a conexão com as estrelas, com tudo que envolvia a natureza, dons espirituais numa época que ninguém falava sobre ou sequer entendia a profundidade. Realmente não foi algo que escolhi desenvolver. Foi uma característica que me acompanhou, inclusive meu nascimento foi muito distinto e simbólico.

Dentre tantas memórias vivas, carrego uma lembrança marcante da casa dos meus pais. Havia um canecão de chopp com uma frase escrita:

“Quem não nasce para servir, não serve para viver.”

Durante muito tempo, essa frase teverbetou seus acordes em mim. Eu repetia mentalmente como um comando.

Com o amadurecimento, compreendi que servir não significa se anular, mas colocar a própria existência a favor da vida, da consciência e daquilo que pode gerar transformação real.

Ao longo da minha caminhada, fui entendendo que meu trabalho não estaria limitado apenas ao campo racional ou técnico. O que desenvolvi foi uma capacidade profunda de observação humana, percepção emocional e leitura de padrões internos que muitas vezes nem a própria pessoa consegue reconhecer sozinha.

Antes de qualquer transformação, existe algo que considero essencial: a desconstrução da percepção equivocada.

Grande parte do sofrimento humano não nasce apenas do que aconteceu, mas da forma como as experiências foram interpretadas, absorvidas e sustentadas ao longo da vida. Muitas pessoas passam anos vivendo a partir de versões distorcidas de si mesmas, tentando pertencer, sobreviver ou atender expectativas externas enquanto se afastam da própria essência.

Meu trabalho nasce justamente nesse ponto.

Eu observo padrões emocionais, comportamentais e relacionais. Percebo incoerências, fragmentações internas e movimentos inconscientes que enfraquecem a presença e a direção de uma pessoa na própria vida.

Não sei como sei, apenas sei que sei. Isso me basta.

Não trabalho para alimentar personagens ou criar dependência emocional. Trabalho para ampliar consciência, restaurar clareza e apoiar processos reais de reorganização interna.

Ao longo dos anos, também compreendi que existem pessoas que não estão desorganizadas por incapacidade, mas porque percebem mais do que foram ensinadas a sustentar. Em muitos casos, aquilo que é tratado apenas como inadequação ou excesso pode ser uma sensibilidade ampliada tentando encontrar estrutura e equilíbrio na realidade concreta.

Acredito que o ser humano carrega registros profundos — emocionais, biológicos, ancestrais e relacionais — que influenciam sua maneira de sentir, reagir e existir no mundo. Meu olhar busca integrar essas múltiplas dimensões sem reduzir a experiência humana apenas a rótulos ou explicações simplistas.

Minha atuação une sensibilidade, experiência prática, consciência corporal e observação humana. Não separo corpo, mente, emoção e espírito, porque acredito que a vida se manifesta de forma integrada.

Inspiro vidas através da consciência solar, do amor em ação e de escolhas sustentáveis que fortalecem corpo, mente e espírito.

 
Âncora 1

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